Mostrando postagens com marcador TERNUMA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador TERNUMA. Mostrar todas as postagens

domingo, abril 20, 2008

'ESQUERDA ESCOCESA' NÃO VÊ ÍNDIO REAL, AFIRMA GENERAL.

Publicado pelo Estadão e reproduzido da Resenha do EB e no Ternuma.
.
'Esquerda escocesa' não vê índio real, afirma general
.
Comandante critica quem, ‘atrás de um copo de uísque 12 anos, resolve os problemas do Brasil inteiro’
.
Wilson Tosta
.
Considerado um dos principais adversários da demarcação contínua da reserva indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, o comandante militar da Amazônia, general Augusto Heleno Ribeiro Pereira, pediu ontem mudanças na política indigenista brasileira, que classificou de “lamentável” e “caótica”. Em palestra no Clube Militar, no centro do Rio, o general, vestindo uniforme de combate camuflado, apontou, para uma platéia de cerca de 600 pessoas - entre elas, militares da ativa -, a questão indígena como uma das “ameaças internas” à soberania brasileira na Amazônia. Também criticou o que chamou de “esquerda escocesa”, que, disse, resolve os problemas brasileiros com uísque, e encerrou com o grito de guerra das unidades da área: “Selva!”
.
“Sou totalmente a favor do índio”, afirmou o militar, no primeiro dia do seminário Brasil, Ameaças à sua Soberania. “Até porque não sou da esquerda escocesa, que, atrás de um copo de uísque 12 anos, aqui sentado na Avenida Atlântica, resolve os problemas do Brasil inteiro. Eu não estou na esquerda escocesa. Eu estou lá. Já visitei mais de 15 comunidades indígenas. Estou vendo o problema do índio. Ninguém está me contando como é que é o índio, não estou vendo índio no cinema, não estou vendo índio no Globo Repórter. Estou vendo índio lá, na ponta da linha, e sofrendo com o que está acontecendo.”
.
Para ele, o problema indígena não pode ser compreendido fora dos quadros da sociedade brasileira. “Quero me associar, para que a gente possa rever uma política que está demonstrado no terreno que não deu certo até hoje”, afirmou. “É só ir lá olhar as comunidades indígenas para ver que esta política é lamentável, para não dizer que é caótica. O que eu tenho encontrado de comunidade indígena carente de saúde, de perspectiva, voltada para o alcoolismo... Essa política indigenista tem que ser modificada. O Exército quer ser parceiro desta modificação.”
.
Ele lembrou que boa parte da população indígena amazônica fica em torno dos pelotões que a Força mantém na região. O militar evitou, no entanto, criticar diretamente a demarcação da Raposa Serra do Sol. “Não tomei posição contra a demarcação, coloquei um problema”, afirmou, em entrevista. “Em nenhum momento contrariei a decisão do presidente da República. A decisão está tomada e será cumprida por quem de direito.”
.
Heleno criticou a ausência do Estado que, diz, “permite e incentiva o descaminho e a destruição do patrimônio e favorece a ação das organizações internacionais de todo tipo” na Amazônia. Também atacou a ação de ONGs e as dificuldades impostas à entrada de brasileiros nas reservas, enquanto missionários e entidades estrangeiras se movimentam à vontade.
.
Ele pediu o reaparelhamento militar. “A Amazônia é hoje a nossa hipótese mais provável de emprego das Forças, é a hipótese alfa.” Uma das possibilidades externas à soberania brasileira na região, afirmou, seria o convencimento da opinião pública internacional de que o Brasil não é capaz de cuidar da Amazônia.” Na platéia, estavam pelo menos três ex-ministros do Exército: os generais Leônidas Pires, Carlos Tinoco e Zenildo de Lucena.
.

Grupo tenta legalizar a mineração na reserva
.
Roldão Arruda
.
A polêmica em torno da terra indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, não envolve apenas a questão dos grandes produtores de arroz que se recusam a deixar a região. O subsolo da área, com 1,7 milhão de hectares, também é rico em minérios - fato que desperta interesses de empresas nacionais e internacionais e movimenta o Congresso. Existe um grupo suprapartidário trabalhando intensamente para a aprovação de um projeto que libera a mineração em terras indígenas de todo o País.
.
Eles querem aprová-lo neste ano, com apoio do governo. Vale lembrar que a versão inicial do texto - que chegou ao Legislativo há 11 anos e passou por várias modificações - foi feita por um parlamentar roraimense, o senador Romero Jucá (PMDB), líder do governo.
.
De acordo com o escritório regional do Serviço Geológico do Brasil, cuja sede fica em Manaus, a região da reserva Raposa Serra do Sol é bastante rica em ouro e diamante. Isso causou a invasão da região por sucessivas ondas de garimpeiros, até os anos 90, quando começaram a rarear os veios de minérios mais superficiais, mais fáceis de serem localizados.
.
Segundo o geólogo Marcos Oliveira, diretor do escritório regional, ainda podem ser encontrados os chamados terraços aluvionais de ouro e diamante. Mas as jazidas mais ricas exigem maior trabalho mecânico. A região também abriga reservas de nióbio, cassiterita e platina. O pedaço de terra mais rico da região, que abrange Rondônia e parte do norte do Amazonas, está no território dos índios ianomâmis - que começa em Roraima e segue pelo Estado amazonense.
.
Entre os índios há divergências sobre o que fazer, se o Supremo Tribunal Federal (STF) confirmar a criação da reserva. Uma parte deseja a exploração das jazidas, em troca de participação nos lucros, e outra se opõe.
.
“Nós não queremos acabar com terras e águas, como fazem os brancos. Se for fazer mineração, tem que ser de maneira sustentável. Não temos culpa se Deus colocou essas riquezas em nossa terra”, diz um dos representantes da população da Raposa, Cristóvão Macuxi.
.

CÚPULA MILITAR CRITICA GOVERNO.

O GLOBO. 17 Abr
Cúpula Militar Critica Governo
.
Atuação federal em áreas indígenas é alvo de ataques de comandantes do Exército
.
Flávio Tabak e Maiá Menezes
.
As autoridades militares unificaram seu discurso e o alvo foi o governo federal. Cinco dias depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defender a demarcação contínua da Reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima, generais e ex-ministros, reunidos ontem para o seminário "Brasil, ameaças a sua soberania", criticaram o decreto que determina a homologação do território. Fizeram coro ao descontentamento expresso na semana passada pelo comandante militar da Amazônia, general Augusto Heleno. Ontem ele foi duro com o governo, ao criticar, sob aplausos, o tratamento dado aos índios:
- A política indigenista está dissociada da História brasileira e tem de ser revista urgentemente. Não sou contra os órgãos do setor, quero me associar para rever uma política que não deu certo, é só ir lá para ver que é lamentável, para não dizer caótica.
.
Durante palestra no Clube Militar, no Centro do Rio, e diante de cerca de 150 militares da ativa e da reserva, o general defendeu a independência do Exército em relação aos governos:
- O alto comando do Exército é um órgão que serve ao Estado brasileiro e não ao governo.
Em seguida, durante entrevista, o general disse ter constatado o abandono de áreas indígenas. Muitas, segundo ele, enfrentam problemas de alcoolismo e tráfico de drogas.
- Quando critico, não tenho interesse político ou econômico. Só penso nos interesses nacionais - disse.
.
Preocupação é com divisão política
.
Até então única voz pública das Forças Armadas contra a homologação da reserva Raposa Serra do Sol, Augusto Heleno recebeu ontem o apoio de ex-ministros, como Zenildo Lucena (Exército) e Bernardo Cabral (Justiça), de generais do alto comando e do líder indígena Jonas Marcolino, convidado para o debate. O comandante militar do Leste, general Luiz Cesário da Silveira Filho, na primeira fila do auditório, afirmou que o problema em Roraima é de soberania. Segundo o militar, a discussão passa pelo cumprimento do artigo 142 da Constituição, que trata da atuação das Forças Armadas na defesa da pátria:
- Nossa preocupação é constitucional, com a soberania brasileira.
.
O chefe do Estado Maior do Comando Militar do Leste, general Mário Matheus Madureira, disse que está preocupado com a homologação em faixa contínua da reserva:
- O risco da soberania é com áreas que podem ser separadas do território brasileiro. ONGs internacionais e grupos indígenas podem solicitar essa divisão política. Pode ser a mesma situação que ocorreu no Kosovo. É uma preocupação de todos.
.
A opinião dos militares durante o seminário ganhou a adesão do ministro do Exército do governo Sarney, Leônidas Pires Gonçalves:
- São todos brasileiros, há riscos de utilizarem o aumento de uma ocupação indígena. Pode ocorrer um estado de enclave (quando um território se sobrepõe ao outro).
.
O general Augusto Heleno, que na última quinta-feira, em Brasília, classificou como "risco à soberania nacional" a demarcação em terras contínuas da reserva, abrandou o tom:
- Não falo em nome do governo porque não tenho autoridade para isso. Em nenhum momento contrariei a decisão do presidente. Não tenho intenção de contrariar hierarquia e disciplina - disse, em entrevista.
.
Na palestra, no entanto, sem citar o nome da reserva, apresentou sua teoria sobre a retirada de não-índios de terras indígenas:
- Como um brasileiro não pode entrar numa terra porque é indígena? Isso não entra na minha cabeça.
.
O general leu artigos da Declaração dos Povos Indígenas, da ONU. Um deles, sobre a desmilitarização das reservas, irritou o militar:
- Então o entrave somos nós? Cumprimos o papel constitucional.
.
"É só ir lá para ver que (a política indigenista) é lamentável, para não dizer caótica."
General Augusto Heleno

.
"O risco é acontecer o mesmo que ocorreu no Kosovo. Um grupo de indígenas pode solicitar a separação política do estado."
General Mário Madureira
.
A Reserva Raposa Serra do Sol foi demarcada no governo Fernando Henrique Cardoso em 1998. Em 15 de abril de 2005, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou o decreto de homologação, última fase no processo de delimitação da reserva. A partir de então, começou uma negociação para a retirada dos não-índios da área, onde vivem cerca de 18 mil indígenas. A demarcação em área contínua nunca foi bem recebida em Roraima, estado que já cedeu boa parte de seu território a uma reserva dos ianomâmis.
.
A demarcação em área contínua também enfrenta a oposição dos militares. Em 2007, a Polícia Federal preparava uma ação para retirar os invasores e pediu apoio aos militares, que não ajudaram e vazaram a operação a políticos de Roraima.
.
Um grupo de arrozeiros ocupa a reserva desde os anos 80. Eles se recusam a sair, mesmo com indenizações oferecidas pela Fundação Nacional do Índio (Funai). Aliados a índios contrários à demarcação em área contínua de 1,6 milhão de hectares, os rizicultores se armaram.
.
Os índios contrários à demarcação contínua são ligados à Sociedade de Defesa dos Indígenas Unidos do Norte de Roraima (Sodiur). Os pró-demarcação contínua são vinculados ao Conselho Indigenista de Roraima (CIR), ligado à Igreja Católica.
.
O principal opositor da demarcação é o presidente da Associação dos Arrozeiros de Roraima, Paulo César Quartiero, responsável pelas ações de resistência à operação preparada pela Polícia Federal. Na última semana, a ação da PF foi suspensa provisoriamente por uma ação do Supremo Tribunal Federal (STF). Os ministros entenderam que a operação pode criar um ambiente de violência. O pedido de suspensão foi feito pelo governador de Roraima, José Anchieta, do PSDB.
.

CLUBE MILITAR SAI EM DEFESA DE GENERAL QUE IRRITOU LULA.

18/4/2008 15:12:00
Clube Militar sai em defesa de general que irritou Lula
.
.
Rio - O Clube Militar divulgou agora na manhã desta sexta-feira uma nota oficial defendendo o general Augusto Heleno Ribeiro Pereira. O oficial do Exército atacou a política indigenista do governo federal. Em seminário realizado quarta-feira na sede do clube na Avenida Rio Branco, Heleno disse que a política indigenista atual é "lamentável, para não dizer caótica". O general não quis se referir especificamente à reserva Raposa/Serra do Sol, no norte de Roraima, que gerou uma crise em agosto do ano passado culminando na exoneração do general Maynard Santa Rosa, então secretário de Política, Estratégia e Assuntos Internacionais do Ministério da Defesa.
.
No entanto, o general Heleno criticou a separação de índios e não-índios, numa referência clara àquela região. No ano passado, a Polícia Federal preparou uma operação para retirar os não-indígenas da reserva e a ação foi suspensa por decisão do Supremo Tribunal Federal(STF).
.
O presidente Lula manifestou irritação na quinta-feira com as declarações do general. Na nota divulgada nesta sexta pelo Clube Militar, o general Gilberto Barbosa de Figueiredo acusa o governo atual e os passados de fazerem opção pela segregação dos índios. "A política indigenista está longe de ser consensual, inclusive dentro do governo Lula. Há décadas que se discute se nossos índios devem ser integrados à sociedade brasileira ou se devem ser segregados. A escolha oficial, hoje, é pela segregação. Tal política não pode ser considerada sequer como deste governo, uma vez que vem sendo adotada já há algum tempo", diz o oficial.
.
O presidente do Clube Militar vai mais além: "É estranho o Presidente da República pedir explicações sobre o caso. Não me consta que tenha adotado o mesmo procedimento quando ministros do seu partido contestam publicamente a política econômica do governo. Aliás, uma das poucas coisas que estão funcionando coerentemente nessa época em que atitudes voltadas para produzir impacto em palanque são mais importantes que a ética e a moralidade na condução das ações politicas".
.

LULA E O GENERAL.

Retirado da Resenha do CCOMSEx
.
OPINIÃO
Lula e o general
.
As declarações do general Augusto Heleno nos fazem pensar pela relevância das mesmas. O perigo de demarcar terras em áreas fronteiriças é grande e não há garantia de que as mesmas continuem fazendo parte do território nacional, como é de se esperar. Além do perigo de que a área seja contaminada pelo tráfico de cocaína ou por soldados de países vizinhos. As declarações são sérias, porém não graves. Grave é o governo querer repreender um general por ter manifestado desagrado perante esse projeto. Isso não é democrático. Democrático foi quando a direção da Anac dava declarações contraditórias e o governo calava-se. Democrático foi também quando dito que tínhamos a terceira maior reserva petrolífera, causando euforia na Bolsa, e dois dias depois comprovado o equívoco. Em nenhum desses episódios houve repreensão pública.
MARIA LINA DA NÓBREGA FERRARO
(por e-mail, 18/4), Rio
.
É inegável o avanço, no governo Lula, em diversos setores, principalmente na economia e na melhoria das condições de vida da população menos favorecida, ignorada pelos últimos governantes. Mas também é fato que nesse governo houve um retrocesso em algumas áreas e a principal delas é a questão da Amazônia. A política ali aplicada, além de caótica, é perigosa, pois, atrelada ao sucateamento das Forças Armadas e à pouca importância que se dá à segurança de nossas fronteiras, pode provocar uma convulsão social de grande alcance e de conseqüências imprevisíveis. Presidente, com a Amazônia não se brinca.
JOSÉ MAURO SAAR
(por e-mail, 18/4), Iguaba Grande, RJ

.
Fiquei admirada com a reação do presidente Lula, em não aceitar a colocação da realidade na qual vive o general Heleno. Ele vive in loco a problemática indigenista daquela região. Além disso, o general é uma pessoa instruída e responsável, fidedigna da realidade de nosso país. Afinal, estamos na tão esperada democracia brasileira? Já entendi. Para os amigos, tudo é democracia! Para os inimigos, cumpra-se a lei!
REGINA SEMPRINE
(por e-mail, 17/4), Rio

.
Só quem não conhece a estrutura política do país pode contestar a declaração do general Heleno de que as Forças Armadas servem ao Estado e não ao governo. O Estado é a nação brasileira e como parte dele existem as Forças Armadas e os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. Estes servem ao Estado e seus membros são transitórios, porém essas instituições são permanentes. Entretanto, há políticos que pensam como o rei Luiz XIV, que dizia: "O Estado sou eu." Estes políticos não sabem que Luiz XIV já morreu há muito tempo.
PEDRO CARVALHO
(por e-mail, 18/4), Rio

.
O presidente manda chamar o ministro da Defesa e o comandante do Exército para se queixar do general. Não seria mais producente ao país se chamasse o presidente da Funai para saber realmente o que está ocorrendo com nossos índios; se o que fala o general está correto ou não? Chamar Jobim ou o comando do Exército só vai resolver o ego do sr. Lula; não vai trazer nenhuma melhoria para a política indigenista.
MARCOS ANTONIO CAMINHA
(por e-mail, 18/4), Niterói, RJ

.
Parabéns, general Heleno! O senhor não deve explicação alguma ao presidente da República, pois está tudo explicado. A política indigenista é caótica sim, pois se índio é capaz de ter picapes importadas e cobrar pedágio em terras demarcadas, entre outras coisas, tem capacidade também de responder por seus atos à Justiça e ser responsabilizado por qualquer delito que cometa, o que não é o caso. As Forças Armadas servem ao Estado e não ao governo, certíssimo!
CHARLES MARCEL PAIXÃO MILNER
(por e-mail, 18/4), Rio das Ostras, RJ

.
Realmente, o Exército não é para servir a um governante. O sr. presidente da República é o chefe das Forças Armadas, e o general sabe disso, entretanto, não tem que necessariamente concordar em todos os itens. Quando o ex-presidente Collor liberou uma grande área indígena, o resultado foi o pior possível para o país. Entre outras coisas, surgiram pistas para aeronaves de pequeno porte que cometiam todos os tipos de contrabando. Os índios, como o restante do povo, merecem respeito. Quanto à Funai, que se torne efetiva e trabalhe em favor dos mesmos. A todo instante, reclamam do trabalho desenvolvido pelo órgão. Existem pessoas e nações bastante interessadas na nossa floresta. Precisamos estar vigilantes e atentos.
JULIO CESAR COSENZA
(por e-mail, 18/4), Rio
.
Foram uma grata surpresa as palavras do general Heleno sobre a situação das demarcações de territórios indígenas. Finalmente, alguém se levanta em prol da soberania. Só coloco um apêndice ao discurso do general: o Congresso deve rever a situação do índio brasileiro - o título de incapaz deve ser retirado e dada cidadania plena, com direitos e deveres.
FERNANDO MAURO FONSECA CHAGAS
(por e-mail, 18/4), Rio
.
Entender o que disse o general Heleno como ato de quebra de hierarquia, ao expor as mazelas da nossa política indigenista, que chega a destinar quase 40% de Roraima para abrigar menos de 20 mil índios com exclusividade, parece-me falta de sensatez e equilíbrio. Acredito que o momento seja de reflexão. Por que não ouvir o que todos têm a dizer e, de forma sensata, racional e equilibrada, estabelecer-se o que deve ser feito para o bem de todos e do país? Por que cobrar quebra de hierarquia de um dos quadros mais importantes das nossas Forças, com serviços relevantes prestados à ONU junto ao Haiti, em nome do Brasil?
SIDNEY MOYSÉS
(por e-mail, 18/4), Rio
.
O general Augusto Heleno é subordinado ao presidente Lula, que é o comandante supremo das Forças Armadas. Quem diz isso não sou eu, é a Constituição brasileira. E mais: os que criticam o presidente Lula e exaltam o general, no regime militar não poderiam fazê-lo ao contrário. Já que o tema é a Amazônia, teriam liberdade, por exemplo, para criticar o rio de dinheiro jogado fora na Transamazônica? Provavelmente, a carta não seria nem publicada, o autor preso arbitrariamente, e sem direito à defesa.
NELIO SAMPAIO DE FARIA
(por e-mail, 18/4), Rio
.
Como contemporâneo nos bancos escolares, no Colégio Militar do Rio, pude constatar que o aluno Heleno ali já se destacava pela aplicação nos estudos, pelo comportamento reto e pelo amor à carreira militar. De há muito não emergia do seio das Forças Armadas uma liderança que defendesse, com inegável coragem, patriotismo e equilíbrio, os interesses nacionais, agora seriamente ameaçados. Com todo o respeito que a nação indígena merece, mas que país é esse onde o Exército Brasileiro não pode intervir em parte de seu território para garantir a lei, a ordem e a segurança nacional?
MILTON CORRÊA DA COSTA
(por e-mail, 18/4), Rio
.
A integridade territorial do Brasil não se condiciona a partido político. É responsabilidade de todos os brasileiros, muito em especial do presidente da República. O general Heleno, brasileiro que dedicou sua vida ao serviço da pátria e que exerce as honrosas funções de comandante militar da Amazônia, a que ascendeu por seus méritos, serve à pátria na selva e não na Ilha da Fantasia. Como tal, tem conhecimento de tudo o que ocorre naquela esquecida região. O interesse nacional é eterno, está expresso na Constituição e transcende a qualquer efêmero período governamental.
HAROLDO BASTO CORDEIRO JUNIOR
(por e-mail, 18/4), Rio

.
General Heleno, o sr. traçou em palavras claras o retrato das políticas adotadas por esse governo. São lastimáveis e caóticas em vários setores, não só no que diz respeito às reservas indígenas. O que realmente está faltando são vozes como a sua, já que a nação permanece adormecida em berço esplêndido. Nós, que amamos o Brasil, nos unimos à sua voz e esperamos que outras se levantem em defesa dos interesses do país.
ANA MARIA MASCARENHAS DE CARVALHO
(por e-mail, 18/4), Niterói, RJ
.

PROBLEMA INDIGENISTA X INDISCIPLINA MILITAR.

Problema Indigenista X Indisciplina Militar

O Comandante Militar da Amazônia, General Augusto Heleno, fez uma conferência no Clube Militar onde classificou a política indigenista brasileira como “caótica”.
.
Essa política entreguista orientada por ONG’S estrangeiras conseguiu do governo que fosse demarcada para os índios uma área contínua na fronteira do Brasil, Venezuela e Guiana. Essa área demarcada é correspondente a metade do estado de Roraima e é do tamanho da Inglaterra. Para completar o quadro as ONG’S também advogam a livre autodeterminação dos povos indígenas. Em outras palavras, ao concedermos aos indígenas uma área contínua na fronteira, e mais o direito de autodeterminação, estamos a um passo de perdermos território. É contra isso que o General Heleno se insurgiu.
.
Na sua conferência expôs o perigo dessa política. O fato de o governo do presidente Lula não enxergar o problema sob esse prisma não significa que o problema não exista. O problema existe sim, e se a esfera civil nada fizer para impedir esse desvairo, cabe aos militares impedir que isso aconteça. Na sua conferência o General Heleno disse que ”O Exército serve ao Estado, não a governos”, frase esta que irritou o presidente e o seu alto escalão.
.
Entretanto, quer Lula goste ou não, o que o General Heleno disse é a expressão da verdade e isso não pode ser considerado indisciplina.
.
Nosso Exército e por extensão nossas Forças Armadas não permitirão que se prossiga numa política entreguista da nossa Amazônia. A intenção de o presidente Lula encarar o fato como indisciplina, se levada adiante, criará uma crise militar em que o governo será testado. Se Lula vai encarar ou fizer uma retirada é o próximo capítulo.
.
Dion de Assis Tavora – Cel Av Ref.
.

sábado, março 15, 2008

MAIORIDADE DO DESRESPEITO

Maioridade do Desrespeito

Ternuma Regional Brasília

Gen Div Murillo Neves Tavares da Silva


Em artigo de 11 de janeiro próximo passado (está no site do Ternuma), sob o título “Mais Preocupações”, manifestei-me quanto à retomada de negociações para o reajuste de vencimentos dos militares federais. Baseei-me em comunicado do Centro de Comunicação Social do Exército, assinado pelo ínclito Gen Ex Enzo e que mencionava reunião com o ministro da Defesa, ocorrida em 10 de janeiro. Eu disse que era mais um “empurrão com a barriga” do falastrão jobim. Não deu outra: a tal recomposição do orçamento não aconteceu em fevereiro, nem ninguém voltou a tocar no assunto, até porque ninguém sabe quando ocorrerá. Assim, completamos, no dia de hoje, 18 meses com os mesmos defasados vencimentos e proventos. Dezoito é número que nos remete à maioridade penal. No nosso caso, à maioridade do desrespeito com profissionais disciplinados e que têm, no serviço prestado à Pátria Brasileira, a dedicação de toda sua vida. Será que tentam fazer desacreditada a autoridade do Comandante da Força Terrestre, que é pessoa da mais alta integridade e de inquestionável capacidade alicerçada em cursos e vivência nacional e não um simples pelego petista ou peemedebista ? Por que o ministro não assume que induziu ao erro os três comandantes das forças singulares? Eles se dirigiram a seus comandados baseados no que ele disse em reunião formal, em que foi citado o mês de fevereiro textualmente, conforme comunicado à imprensa, de 12 de janeiro, assinado por José Ramos Filho, Assessor Especial de Comunicação Social do Ministério da Defesa. Por que não vem a público para novos esclarecimentos? Será que está cansado de sua vilegiatura por terras de França e Rússia, fingindo que foi comprar equipamentos, inclusive com cessão de tecnologia (doce ilusão...), cessão já desmentida por um russo?

Em face da falta de explicações ministeriais, começam a surgir os boatos. De um amigo de muitos anos, recebi notícia de que haveria um reajuste de 4% em agosto deste ano e mais 4% no ano que vem, além de umas migalhas em termos de auxílio-moradia, tempo de serviço e compensação orgânica, basicamente para quem está na ativa.

Na quarta-feira passada (dia 27), em reunião de confraternização de companheiros da ativa e da reserva, perguntei a um conhecido do Min Def a quantas andava o reajuste e ele, sem mencionar índices ou datas, disse-me que estava em cogitação um “cala-a-boca” e rapidamente se afastou.

Além disso, sucedem-se, na Internet, as transcrições dos boletins do Bolsonaro; as chamadas para questionamentos na Justiça Federal da - à época - denominada isonomia dos oficiais-generais de quatro estrelas com os ministros do STM, com endereços de escritórios que cobram a módica inscrição de R$500,00 na causa (em módicas prestações de 100...) e prometem até 81% de ganhos.

O desgaste provocado atinge muito pouco a quem, como eu, já sem responsabilidades funcionais e com filhos formados e independentes, sabe viver com parcimônia. Mas o que dizer dos que têm encargos, inclusive de comando de tropa, e pretendem dar à sua descendência condições de enfrentar os embates da vida moderna, cada vez mais competitiva e mais exigente. Além da legítima pressão familiar, sofrem com as agruras de seus comandados.

O quadro é desolador. O Correio Braziliense, de ontem, publicou, em sua página 29, o seguinte:
“ No ranking das menores médias salariais praticadas pelos órgãos públicos federais até dezembro de 2007, o Ministério das Comunicações ocupa o primeiro lugar (R$ 1.610,79). A Vice-Presidência da República vem em seguida (R$ 1.774,09), depois o Ministério da Defesa (R$ 1.836,96) e por fim o Comando do Exército (R$ 1.974,17). Ainda de acordo com a tabela publicada no Diário Oficial, as maiores remunerações médias estão na Defensoria Pública da União (R$ 10.186,34), no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) (R$ 9.799,73), na Polícia Federal (R$ 8.328,21) e no Ministério da Fazenda (R$ 8.373,96)” . Na mesma matéria está mencionado que, nos últimos cinco anos, o ganho médio da Advocacia-Geral da União teve alta de 160 %; e eles lá estão em greve, desde 17 de janeiro, entre outras razões, por melhores salários. Já na Anatel, o ganho foi de 124,6 %; e todos sabemos como funcionam as operadoras de telefonia fixa, as de celulares, as televisões a cabo, etc... Fui ver qual foi a minha variação e constatei que de fevereiro de 2002 a fevereiro de 2008 (6 anos, um a mais que Advocacia e Anatel) o meu ganho foi de 44,299 %. Como não sou como o Pernalonga jobim que diz e depois diz que não disse, guardei a folha do jornal e os meus comprovantes de pagamento. E só queria saber por que razão os cofres públicos se abrem de forma tão diferente...

Se a maioridade do desrespeito ainda não é suficiente para impulsionar o jobim nem comover o Paulo Bernardo, resta-nos esperar que não cheguemos à terceira idade das desilusões.

Brasília, 29 de fevereiro de 2008.

FONTE: http://www.ternuma.com.br/bsb399.htm

CARTA ABERTA AO ALTO COMANDO DO EXÉRCITO

Carta aberta ao Alto Comando do Exército

Ternuma Regional Brasília

Pelo Gen Div Murillo Neves Tavares da Silva

Exmos. Srs. Generais do Alto Comando do Exército Brasileiro

Conheço-os todos, alguns há mais de quarenta anos, e sou plenamente convencido de sua capacidade de ostentarem, com todos os méritos, as quatro estrelas de general. Da maioria, tive o prazer de acompanhar os primeiros passos em busca do oficialato, quando servi, como capitão já aperfeiçoado, na Academia Militar das Agulhas Negras, no biênio 1966/67. De alguns participei diretamente da formação, como comandante da Companhia de Cadetes de Infantaria; diga-se de passagem, a função de que mais me orgulho em meus quase quarenta anos como oficial.

A ela só se compara a grande satisfação de haver comandado o 2º Batalhão de Polícia do Exército, em São Paulo, em 1981/82/83. Outros foram meus subordinados imediatos ou serviram em guarnições onde pude acompanhar de perto seus desempenhos. Daí que tomo a liberdade de dirigir-me a Vossas Excelências para lhes fazer um apelo. Muito em breve, em função da lei que limita a permanência no serviço ativo, Vossas Excelências também estarão na reserva e verão que não há impertinência em se demonstrar algumas preocupações. Particularmente, se elas tratam da preservação da imagem do nosso Exército que, hoje, Vossas Excelências conduzem, dando continuidade – e certamente melhorando – ao que nós, agora chamados inativos, ajudamos a construir. Somando nossas inteligências e nossos esforços aos de nossos antepassados, legamos a Vossas Excelências e a quantos ainda são ativos uma Instituição (assim mesmo com maiúscula) sempre lembrada nas pesquisas como das mais confiáveis da Nação Brasileira, senão a mais entre todas. Muito embora parte da mídia procure negar, o fato é incontestável.

Qual a razão de meu apelo? Tenho acompanhado, pela Internet, manifestações seguidas de desagrado quanto ao sucateamento da Força Terrestre e quanto à defasagem da remuneração. Eu mesmo já me manifestei, diversas vezes, mas sempre com o cuidado de não ferir a hierarquia e a disciplina. Agora, no entanto, os acontecimentos estão tomando rumos perigosos, quando se vê falar em manifestações coordenadas em todo o Brasil, com data previamente determinada e possível participação de pessoal da ativa. Há sugestões de movimentos paredistas, caracterizados pelo não cumprimento de missões.

É, também, fator de inquietação saber que um 3º sargento do Quadro Especial, servindo numa organização de Brasília, teria manifestado sua opinião quanto à “necessidade de se acabar com o atual exército burguês e criar um exército do povo do tipo das FARC”; digo teria porque não tenho como comprovar a verdade do que recebi em e-mail. Como, até agora, ninguém desmentiu e foi citado o nome do possível autor da deslealdade explícita, a coisa vai tomando aspecto de verdade. São nuvens negras para manchar, sem trocadilho, qualquer céu de brigadeiro. São ameaças que podem causar danos à honorabilidade de nossa força e das forças irmãs. De onde partem os incentivos para que isso aconteça? Quem serão os beneficiados se as impolutas forças federais se alinharem aos sindicatos com paralisações, greves, arruaças ou manifestações semelhantes? Perderemos a credibilidade e terão nossos detratores motivos para nos ridicularizar?

Para não me alongar, eu apelo para o patriotismo e para a responsabilidade de Vossas Excelências a fim de que reajam, com toda a firmeza que as atuais circunstâncias parecem exigir no sentido de que o respeito devido ao Exército Brasileiro seja mantido. Que essa reação se caracterize por uma postura firme em que as respostas às agressões ou às demonstrações de desprestígio não sejam omitidas ou postergadas, como vêm sendo. É da sabedoria popular a velha e acertada afirmativa “quem cala consente”. Não há cargo ou posição cuja manutenção compense um silêncio obsequioso ou uma contemplação inerte. Por conhecê-los e respeitá-los, confio em Vossas Excelências.

Brasília, DF, 18 de janeiro de 2008.