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terça-feira, novembro 23, 2010

FORÇAS ARMADAS

FORÇAS ARMADAS LIDERAM PREFERÊNCIA COMO INSTITUIÇÃO MAIS CONFIÁVEL
Em segundo lugar vem a Igreja, seguida pelas emissoras de TV.
18/11/2010 - 12h23

SÃO PAULO - A confiança da população nas instituições sofreu mudança importante no último trimestre. É o que revela pesquisa do Índice de Confiança na Justiça (ICJ Brasil), produzido pela Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas em São Paulo (FGV-SP). As Forças Armadas ficaram em primeiro lugar, com 66% da preferência dos entrevistados. Em segundo, apareceu a Igreja, com 54%, seguida pelas emissoras de TV (44%). 



O Judiciário ficou em situação desconfortável, empatado com a polícia e à frente apenas do Congresso e dos partidos políticos.

FGV

Para Luciana Gross Cunha, professora da Escola de Direito da FGV-SP e coordenadora do ICJ Brasil, a controvérsia sobre o aborto travada entre o primeiro e o segundo turno das eleições presidenciais pesou decisivamente para o aumento do índice de confiança na Igreja, que subiu do 7º para o 2º lugar. "A Igreja estava em um grau baixo de avaliação quando foi feita a apuração no segundo trimestre, muito perto da crise envolvendo a instituição com denúncias de pedofilia", observa Luciana. "A última fase da coleta coincidiu com a discussão sobre o aborto nas eleições presidenciais. Isso fez a diferença."

Já a confiança nos partidos políticos despencou de 21% para 8% no mesmo período de eleições, mantendo-se em última posição na escala. Apenas 33% disseram que o Judiciário é confiável. O Congresso ficou com 20%. As outras instituições obtiveram os seguintes resultados: Grandes Empresas (44%), governo federal (41%), emissoras de TV (44%) e imprensa escrita (41%).

domingo, novembro 07, 2010

SERVIÇO MILITAR

GENTE JOVEM - [ 07/11 ]
JOVENS SE DIVIDEM ENTRE SERVIR OU NÃO AO EXÉRCITO

André Moraes

Notícia publicada na edição de 07/11/2010 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 2 do caderno B - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.

O atirador Marvyn (nome de guerra), de 19 anos, tinha vontade de servir ao Exército brasileiro e disse que fez de tudo para ser convocado: Fui me preparando para chegar no dia e ter a sorte de ser chamado. Para mim é um orgulho estar no serviço militar, afirma 

Quando um jovem chega aos 18 anos, muitas são as preocupações que surgem em sua cabeça. A maioridade traz alguns privilégios, mas também indagações sobre como levar a vida adiante, depois de um passo tão importante. Uma questão que é inerente a essa estapa é sobre o alistamento militar. No Brasil, todos os homens que irão completar ou já completaram 18 anos são obrigados a se alistar no Exército brasileiro, previsto em lei desde 1908. Dentro desse assunto, existem opiniões diversas sobre o serviço militar. Enquanto alguns já possuem o sonho de servir ao Exército, outros preferem se dedicar à faculdade ou ir atrás do que realmente desejam nesse momento.

A busca de desafios foi o que motivou o funcionário público Edgar Luiz de Souza Júnior, 23 anos, quando serviu ao Tiro de Guerra de Sorocaba em 2006. O jovem afirma que não esperava ser chamado por causa de sua baixa estatura (1,64m), mas acabou descobrindo que a altura mínima para o serviço militar é de 1,60m. Ergueu a cabeça e encarou de frente essa nova etapa. Foi uma experiência interessante aprender coisas novas sobre nosso país, histórias que só ouvimos lá dentro, declara Júnior. A cidadania e o compromisso com o próximo foi o que Edgar tirou de mais importante dessa vivência no meio militar. Eu já levei isso de casa, mas lá eu reforcei os valores que um cidadão de bem deve ter, constata.

A convivência com jovens de todos os tipos foi bastante interessante, segundo Júnior, e com isso, surgiram acontecimentos que ele nunca esquece. Durante a conversa com a reportagem da coluna Gente Jovem, Júnior contou que no dia em que estavam tendo instruções para a desmontagem de um mosquetão (espécie de fuzil), o sargento chamou um rapaz que era muito alto para demonstrar como isso era feito. Ele prendeu o dedão da mão em uma das peças do objeto e começou a gritar. Então Edgard foi chamado para a demonstração, que conseguiu fazer tudo direitinho, e o sargento não poupou a tiração de sarro dizendo: você desse tamanho não consegue e olha ele, levando todos aos risos.

Edgard ainda disse que pretendia seguir carreira no meio militar, quando, pouco antes de terminar o serviço no Tiro de Guerra, resolveu prestar a prova da ESA (Escola de Sargento das Armas). Mas, segundo o jovem, a baixa remuneração o desmotivou. Observei que podia ganhar mais dinheiro fora do Exército, revela.

A expectativa do alistamento

O estudante Carlos Henrique Machado tem 17 anos e precisará se alistar ao Exército no ano que vem, quando completará 18 anos. O entusiasmo ele diz que não existe, mas como é preciso passar por essa etapa, o jovem está na espera. Sendo bem sincero, nem queria ter que passar por isso, revela Carlos. Entrar no serviço militar iria atrapalhar o sonho do jovem, que é fazer faculdade de Educação Física. Caso eu tivesse que servir, esse meu sonho teria que ser deixado pra trás e não é o que eu pretendo neste momento, confessa.

A obrigatoriedade do alistamento é um fator que Carlos não concorda. Para ele, um jovem de 18 anos ainda tem muito o que viver e aprender na vida, não estando preparado para passar por essa experiência. De outro lado, Carlos pensa que se dependesse da escolha de cada um, muitos jovens não iriam querer passar por isso e poucos estariam no Exército, representando o País. Mas estando lá, temos muito o que aprender. Muita coisa que nos ensinam lá dentro poderemos utilizar aqui fora, como nos virar sozinhos, ter mais responsabilidade e, até mesmo, a cuidar de nossas coisas, reconhece o jovem.

A vivência de quem está lá dentro

O serviço militar entrou na vida do atirador Marvyn (nome de guerra), de 19 anos, no ano passado, quando precisou se alistar. O jovem já possuía a vontade de servir ao Exército brasileiro, portanto disse que fez de tudo para ser convocado. Fui me preparando para chegar no dia e ter a sorte de ser chamado. Para mim é um orgulho estar no serviço militar, afirma com convicção. No dia 1º de março seu sonho foi realizado, quando houve a convocação para atuar no Tiro de Guerra de Sorocaba. As principais experiências que Marvyn leva consigo são a união e a disciplina, conquistadas por meio de atividades e instruções que os jovens recebem no local.

A rotina de quem está servindo ao Exército começa bem cedo, às 6h. A partir desse horário, os atiradores - como são chamados os jovens que estão no Tiro de Guerra - recebem instruções, como atividades de tiro e treinamento, sendo liberados já às 8h. A cada nove dias, alguns concorrem a serviços de escala, em que precisam ficar 24h no Tiro de Guerra, realizando serviços como limpeza e guarda do prédio, se revezando na guarita em duas horas de vigilância, por outras duas de descanso.

O atirador certifica de que o trabalho é muito unido, e os jovens sempre procuram fazer juntos todas as atividades. É como se fôssemos uma família, comenta. O aprendizado que consegue tirar dessa experiência, Marvyn conta que é de grande valor: nós começamos a ver o mundo com outro olhar. Nós passamos a ter uma visão diferente daquela que possuíamos antes de estar no meio militar. Depois de tantas experiências vividas no Tiro de Guerra, ele afirma que pretende seguir carreira no serviço militar, mas, para isso, ainda precisa adquirir mais conhecimentos, pois os cargos são conseguidos por meio de concursos. Com tudo o que passamos e vemos aqui, sempre temos algo a aprender, completa.

Quantos são chamados?

Para os jovens que estão aflitos, imaginando se serão chamados ou não, o número de rapazes que são convocados pode trazer uma boa notícia aos que não pretendem servir ao Exército. De acordo com o chefe da Instrução do Tiro de Guerra, sargento Neves, menos de 1% dos alistados são chamados. Em Sorocaba, cerca de 4.000 jovens se alistam por ano no serviço militar, mas apenas 100 são convocados. De acordo com o sargento, 70% já são pré-dispensados no sistema, e os outros 30% realizam exames médicos e psicotécnicos. Desses, 300 são designados para comparecer ao Tiro de Guerra, em que realizam exames físico, cultural, psicológico e moral, que decidem quais jovens farão parte dos 100 que realizarão as atividades militares. Então, se você completa 18 anos em 2011, não se esqueça de procurar a Junta de Serviço Militar, que fica na rua Cel. José Tavares, 131, Vila Hortênsia, a partir do dia 2 de janeiro. Os documentos necessários são a Certidão de Nascimento, Casamento ou Carteira de Identidade; duas fotos 3x4 recentes e sem data; e um Comprovante de Residência. Mais informações pelo telefone (15) 3231-1102.

Gírias utilizadas no serviço militar

Bisu = um conselho ou algum ato bom praticado.
AM (Azar Militar) = qualquer coisa prejudicial ou ruim. Exemplo dado pelo sargento Neves: Trabalhar no Natal é um AM.
Brasil = o nome do país é utilizado quando querem concordar com algo dito.
SDS (Só Deus Sabe) e Só acaba quando termina = muito usadas para dizer quando alguma atividade irá ser completada.
Acochambrar = relaxar, fazer corpo mole.
Torar = dormir.

Fonte: http://www.cruzeirodosul.inf.br/materia.phl?editoria=79&id=363114

sexta-feira, novembro 05, 2010

IGREJA CATÓLICA

05.11.2010
D. EUGÊNIO: "BANDIDO NÃO DEVE SER TRATADO COMO CIDADÃO"

FOLHA DE S. PAULO

Sábado, quando a Catedral Metropolitana do Rio abrir as portas para uma missa em homenagem aos 90 anos do cardeal Eugenio de Araújo Sales, os fiéis vão encontrar uma pessoa diferente da que comandou a Arquidiocese do Rio por 30 anos (de 1971 a 2001).

O homem sisudo, de voz e passos firmes, deu lugar a um senhor que caminha com dificuldade, fala baixo e ri.

Suas idéias, contudo, não mudaram. Diz que bandido deve ser tratado como bandido, não como cidadão.

Folha - O sr. foi sagrado bispo aos 33 anos e tornou-se cardeal aos 48. É uma trajetória rara na igreja, não?
Eugenio de Araújo Sales - Não é comum, mas não me julgo uma pessoa excepcional por isso. Apenas procurei cumprir meus deveres. Sempre disseram que eu era tradicionalista, mas nunca me classifiquei assim.

Incomodava ser chamado de tradicionalista enquanto, durante a ditadura, o sr. ajudou entre 4.000 e 5.000 perseguidos políticos a sair do país?
Eu não achava bom ser chamado de tradicionalista. Mas continuava meu trabalho da mesma forma.

O sr. ligou mesmo para o então ministro do Exército, general Sylvio Frota [ministro do presidente Ernesto Geisel, de 1974 a 1977], e disse: "Se receber a comunicação que estou protegendo comunistas no Palácio [São Joaquim, sede da arquidiocese], saiba que é verdade"?

Disse, mas não para agredir. Estava revelando amizade, mas independência também. Não houve reação negativa dele. Uma vez fui chamado para receber a Medalha do Pacificador [concedida pelo Exército], mas não quis porque a situação era muito difícil. Frota entendeu que não fazia aquilo como afronta. Eles sabiam que eu não era comunista.

Hoje temos a questão da violência, do tráfico. Qual o papel da igreja nesse cenário?

O mesmo daquela época. Por mais de uma vez bandidos armados pararam meu carro quando eu subia para o Sumaré [região do alto da floresta da Tijuca]. Quando viram que eu estava no carro, mandaram seguir. Depois disso, sempre passo com as luzes internas acessas.

É sempre um susto. Eles conhecem o carro e procuram esconder armas. Entendo o sofrimento deles, mas isso não justifica seus atos.

Bandidos têm que ser tratados como bandidos, não como cidadãos. Bandido tem direitos humanos. Não tem direito de ser bandido, mas não pode ser injustiçado.

Como o sr. vê o crescimento das igrejas evangélicas?

Elas têm presença forte e avançam, mas não me alarmo. Já participei de várias celebrações com pastores.

Não queremos agradar para conquistar, mas expor nossos pontos de vista.
É trabalho de entendimento, mas não com todos os protestantes. Esses donos de TV e rádio atacam a igreja. Não vou atacar porque fui atacado. A questão não é o número de fiéis, mas viver em Deus.

Como o sr. vê o debate sobre aborto e união homossexual?

A igreja tem doutrina. O casamento é homem e mulher, foi ensinado por Jesus.

A igreja é contra o homossexualismo, mas não se deve desprezar o homossexual. Ele deve ser tratado com caridade. A adoção por parte de homossexuais é outro problema. Não se pode expor uma criança a isso.

A igreja enfrenta graves acusações de ter acobertado casos de pedofilia. Como o sr. encarou isso?

A igreja agiu, mas talvez não com muito rigor. Precisava ter sido mais enérgica. Porém, parece ter havido um complô de ataques à igreja, aproveitando-se de um fato e generalizando para o todo.

O sr. chegou a ser considerado candidato ao papado. Imaginou que pudesse ser papa?

Nunca sonhei em chegar aonde cheguei. Ser papa é um sacrifício e jamais pensei nessa possibilidade.

terça-feira, novembro 02, 2010

MAX GEHRING

Terça, 02/11/2010
TUDO É EFÊMERO, INCLUSIVE CARGOS E TÍTULOS HIERÁRQUICOS

segunda-feira, novembro 01, 2010

PRONUNCIAMENTO DA 1ª MULHER ELEITA PRESIDENTE DO BRASIL

'Sim, a mulher pode!'
Em pronunciamento em Brasília após a vitória, Dilma diz que sempre 'baterá à porta' de Lula
01 de novembro de 2010 | 0h 00

 O Estado de S.Paulo

Íntegra do primeiro pronunciamento da presidente eleita, Dilma Rousseff.

"Minhas amigas e meus amigos de todo o Brasil, é imensa a minha alegria de estar aqui. Recebi hoje de milhões de brasileiras e brasileiros a missão mais importante de minha vida. Este fato, para além de minha pessoa, é uma demonstração do avanço democrático do nosso País: pela primeira vez uma mulher presidirá o Brasil. Já registro portanto aqui meu primeiro compromisso após a eleição: honrar as mulheres brasileiras, para que este fato, até hoje inédito, se transforme num evento natural. E que ele possa se repetir e se ampliar nas empresas, nas instituições civis, nas entidades representativas de toda nossa sociedade.

A igualdade de oportunidades para homens e mulheres é um principio essencial da democracia. Gostaria muito que os pais e mães de meninas olhassem hoje nos olhos delas, e lhes dissessem: Sim, a mulher pode! Minha alegria é ainda maior pelo fato de que a presença de uma mulher na Presidência da República se dá pelo caminho sagrado do voto, da decisão democrática do eleitor, do exercício mais elevado da cidadania.

Por isso, registro aqui outro compromisso com meu País:

Valorizar a democracia em toda sua dimensão, desde o direito de opinião e expressão até os direitos essenciais da alimentação, do emprego e da renda, da moradia digna e da paz social.

Zelarei pela mais ampla e irrestrita liberdade de imprensa.

Zelarei pela mais ampla liberdade religiosa e de culto.

Zelarei pela observação criteriosa e permanente dos direitos humanos tão claramente consagrados em nossa constituição.

Zelarei, enfim, pela nossa Constituição, dever maior da presidência da República.

Nesta longa jornada que me trouxe aqui pude falar e visitar todas as nossas regiões. O que mais me deu esperanças foi a capacidade imensa do nosso povo, de agarrar uma oportunidade, por mais singela que seja, e com ela construir um mundo melhor para sua família. É simplesmente incrível a capacidade de criar e empreender do nosso povo. Por isso, reforço aqui meu compromisso fundamental: a erradicação da miséria e a criação de oportunidades para todos os brasileiros e brasileiras.

Ressalto, entretanto, que esta ambiciosa meta não será realizada pela vontade do governo. Ela é um chamado à Nação, aos empresários, às igrejas, às entidades civis, às universidades, à imprensa, aos governadores, aos prefeitos e a todas as pessoas de bem.

Não podemos descansar enquanto houver brasileiros com fome, enquanto houver famílias morando nas ruas, enquanto crianças pobres estiverem abandonadas à própria sorte. A erradicação da miséria nos próximos anos é, assim, uma meta que assumo, mas para a qual peço humildemente o apoio de todos que possam ajudar o País no trabalho de superar esse abismo que ainda nos separa de ser uma Nação desenvolvida.

O Brasil é uma terra generosa e sempre devolverá em dobro cada semente que for plantada com mão amorosa e olhar para o futuro. Minha convicção de assumir a meta de erradicar a miséria vem não de uma certeza teórica, mas da experiência viva do nosso governo, no qual uma imensa mobilidade social se realizou, tornando hoje possível um sonho que sempre pareceu impossível.

Reconheço que teremos um duro trabalho para qualificar o nosso desenvolvimento econômico. Essa nova era de prosperidade criada pela genialidade do presidente Lula e pela força do povo e de nossos empreendedores encontra seu momento de maior potencial numa época em que a economia das grandes nações se encontra abalada.

No curto prazo, não contaremos com a pujança das economias desenvolvidas para impulsionar nosso crescimento. Por isso, se tornam ainda mais importantes nossas próprias políticas, nosso próprio mercado, nossa própria poupança e nossas próprias decisões econômicas.

Longe de dizer, com isso, que pretendamos fechar o País ao mundo.

Muito ao contrário, continuaremos propugnando pela ampla abertura das relações comerciais e pelo fim do protecionismo dos países ricos, que impede as nações pobres de realizar plenamente suas vocações.

Mas é preciso reconhecer que teremos grandes responsabilidades num mundo que enfrenta ainda os efeitos de uma crise financeira de grandes proporções e que se socorre de mecanismos nem sempre adequados, nem sempre equilibrados, para a retomada do crescimento.

É preciso, no plano multilateral, estabelecer regras mais claras e mais cuidadosas para a retomada dos mercados de financiamento, limitando a alavancagem e a especulação desmedida, que aumentam a volatilidade dos capitais e das moedas. Atuaremos firmemente nos fóruns internacionais com este objetivo.

Cuidaremos de nossa economia com toda responsabilidade. O povo brasileiro não aceita mais a inflação como solução irresponsável para eventuais desequilíbrios. O povo brasileiro não aceita que governos gastem acima do que seja sustentável.

Por isso, faremos todos os esforços pela melhoria da qualidade do gasto público, pela simplificação e atenuação da tributação e pela qualificação dos serviços públicos. Mas recusamos as visões de ajustes que recaem sobre os programas sociais, os serviços essenciais à população e os necessários investimentos.

Sim, buscaremos o desenvolvimento de longo prazo, a taxas elevadas, social e ambientalmente sustentáveis. Para isso zelaremos pela poupança pública.

Zelaremos pela meritocracia no funcionalismo e pela excelência do serviço público. Zelarei pelo aperfeiçoamento de todos os mecanismos que liberem a capacidade empreendedora de nosso empresariado e de nosso povo.

Valorizarei o Micro Empreendedor Individual, para formalizar milhões de negócios individuais ou familiares, ampliarei os limites do Supersimples e construirei modernos mecanismos de aperfeiçoamento econômico, como fez nosso governo na construção civil, no setor elétrico, na lei de recuperação de empresas, entre outros.

As agências reguladoras terão todo respaldo para atuar com determinação e autonomia, voltadas para a promoção da inovação, da saudável concorrência e da efetividade dos setores regulados.

Apresentaremos sempre com clareza nossos planos de ação governamental.

Levaremos ao debate público as grandes questões nacionais. Trataremos sempre com transparência nossas metas, nossos resultados, nossas dificuldades.

Mas acima de tudo quero reafirmar nosso compromisso com a estabilidade da economia e das regras econômicas, dos contratos firmados e das conquistas estabelecidas.

Trataremos os recursos provenientes de nossas riquezas sempre com pensamento de longo prazo. Por isso trabalharei no Congresso pela aprovação do Fundo Social do Pré-Sal. Por meio dele queremos realizar muitos de nossos objetivos sociais.

Recusaremos o gasto efêmero que deixa para as futuras gerações apenas as dívidas e a desesperança.

O Fundo Social é mecanismo de poupança de longo prazo, para apoiar as atuais e futuras gerações. Ele é o mais importante fruto do novo modelo que propusemos para a exploração do pré-sal, que reserva à Nação e ao povo a parcela mais importante dessas riquezas.

Definitivamente, não alienaremos nossas riquezas para deixar ao povo só migalhas. Me comprometi nesta campanha com a qualificação da educação e dos serviços de saúde. Me comprometi também com a melhoria da segurança pública. Com o combate às drogas que infelicitam nossas famílias.

Reafirmo aqui estes compromissos. Nomearei ministros e equipes de primeira qualidade para realizar esses objetivos. Mas acompanharei pessoalmente estas áreas capitais para o desenvolvimento de nosso povo.

A visão moderna do desenvolvimento econômico é aquela que valoriza o trabalhador e sua família, o cidadão e sua comunidade, oferecendo acesso a educação e saúde de qualidade. É aquela que convive com o meio ambiente sem agredi-lo e sem criar passivos maiores que as conquistas do próprio desenvolvimento.

Não pretendo me estender aqui, neste primeiro pronunciamento ao País, mas quero registrar que todos os compromissos que assumi, perseguirei de forma dedicada e carinhosa. Disse na campanha que os mais necessitados, as crianças, os jovens, as pessoas com deficiência, o trabalhador desempregado, o idoso teriam toda minha atenção. Reafirmo aqui este compromisso.

Fui eleita com uma coligação de dez partidos e com apoio de lideranças de vários outros partidos. Vou com eles construir um governo onde a capacidade profissional, a liderança e a disposição de servir ao País será o critério fundamental.

Vou valorizar os quadros profissionais da administração pública, independente de filiação partidária.

Dirijo-me também aos partidos de oposição e aos setores da sociedade que não estiveram conosco nesta caminhada. Estendo minha mão a eles. De minha parte não haverá discriminação, privilégios ou compadrio.

A partir de minha posse serei presidenta de todos os brasileiros e brasileiras, respeitando as diferenças de opinião, de crença e de orientação política.

Nosso País precisa ainda melhorar a conduta e a qualidade da política.

Quero empenhar-me, junto com todos os partidos, numa reforma política que eleve os valores republicanos, avançando em nossa jovem democracia.

Ao mesmo tempo, afirmo com clareza que valorizarei a transparência na administração pública. Não haverá compromisso com o erro, o desvio e o malfeito. Serei rígida na defesa do interesse público em todos os níveis de meu governo. Os órgãos de controle e de fiscalização trabalharão com meu respaldo, sem jamais perseguir adversários ou proteger amigos.

Deixei para o final os meus agradecimentos, pois quero destacá-los.

Primeiro, ao povo que me dedicou seu apoio. Serei eternamente grata pela oportunidade única de servir ao meu País no seu mais alto posto.

Prometo devolver em dobro todo o carinho recebido, em todos os lugares que passei.

Mas agradeço respeitosamente também aqueles que votaram no primeiro e no segundo turno em outros candidatos ou candidatas. Eles também fizeram valer a festa da democracia.

Agradeço as lideranças partidárias que me apoiaram e comandaram esta jornada, meus assessores, minhas equipes de trabalho e todos os que dedicaram meses inteiros a esse árduo trabalho. Agradeço a imprensa brasileira e estrangeira que aqui atua e cada um de seus profissionais pela cobertura do processo eleitoral.

Não nego a vocês que, por vezes, algumas das coisas difundidas me deixaram triste. Mas quem, como eu, lutou pela democracia e pelo direito de livre opinião arriscando a vida; quem, como eu e tantos outros que não estão mais entre nós, dedicamos toda nossa juventude ao direito de expressão, nós somos naturalmente amantes da liberdade. Por isso, não carregarei nenhum ressentimento.

Disse e repito que prefiro o barulho da imprensa livre ao silêncio das ditaduras. As críticas do jornalismo livre ajudam ao País e são essenciais aos governos democráticos, apontando erros e trazendo o necessário contraditório.

Agradeço muito especialmente ao presidente Lula. Ter a honra de seu apoio, ter o privilégio de sua convivência, ter aprendido com sua imensa sabedoria, são coisas que se guarda para a vida toda. Conviver durante todos estes anos com ele me deu a exata dimensão do governante justo e do líder apaixonado por seu País e por sua gente. A alegria que sinto pela minha vitória se mistura com a emoção da sua despedida.

Sei que um líder como Lula nunca estará longe de seu povo e de cada um de nós. Baterei muito à sua porta e, tenho certeza, que a encontrarei sempre aberta. Sei que a distância de um cargo nada significa para um homem de tamanha grandeza e generosidade. A tarefa de sucedê-lo é difícil e desafiadora. Mas saberei honrar seu legado. Saberei consolidar e avançar sua obra.

Aprendi com ele que quando se governa pensando no interesse público e nos mais necessitados uma imensa força brota do nosso povo. Uma força que leva o País para frente e ajuda a vencer os maiores desafios.

Passada a eleição agora é hora de trabalho. Passado o debate de projetos agora é hora de união. União pela educação, união pelo desenvolvimento, união pelo País. Junto comigo foram eleitos novos governadores, deputados, senadores. Ao parabenizá-los, convido a todos, independente de cor partidária, para uma ação determinada pelo futuro de nosso País.

Sempre com a convicção de que a Nação brasileira será exatamente do tamanho daquilo que, juntos, fizermos por ela.

Muito obrigada." 


sábado, outubro 23, 2010

LIVRO - DOPaz.

Livro 19/10/2010 21h48

O BOM TRABALHO DO EXÉRCITO BRASILEIRO NO HAITI

Única Brasileira e uma das poucas mulheres a ter participado de um Programa da ONU sobre Segurança Mundial, a repórter do Diário Tahiane Stochero lança nesta quarta, na Livraria da Vila, livro sobre a sua experiência no país da América Central

Renato Pompeu



Uma completa e detalhada descrição das atividades das tropas brasileiras que estão no Haiti desde 2004 é proporcionada pela repórter Tahiane Stochero, do Diário, no seu livro "DOPaz - Como a Tropa de Elite do Exército Brasileiro Pacificou a Favela Mais Violenta do Haiti" (Objetiva, 216 págs., R$ 36,90 reais), com lançamento nesta quarta, na Livraria da Vila.

Trata-se de um livro-reportagem dentro das melhores tradições brasileiras, tanto que é recomendado, na contracapa e na introdução, por seguramente os dois autores mais famosos no País desse gênero, ninguém menos do que Caco Barcellos e José Hamilton Ribeiro, dois dos jornalistas mais importantes do Brasil, conhecidos por milhões de pessoas, por seus programas na Rede Globo. Diz Barcellos: "A autora nos conduz com isenção aos bastidores da ação pacificadora do Brasil na brutal guerra civil do Haiti".

E Ribeiro afirma que o livro de Tahiane Stochero "1. Envolve denúncias graves - o Exército usando meninos de 10 anos como informantes da inteligência?, torturas em interrogatório. 2 - Também descreve, de maneira descompromissada, mas sem tentar esconder a força do fato, que os militares (o uso do cachimbo...?) transformam operações em que há risco de vida para outros (e para eles também, certamente) em atividade quase lúdica, com recorrência a feitos do super-homem e outras histórias em quadrinhos. 3 - E é de provocar arrepio quando ela diz que ?os caveiras? têm seu grito de guerra: o máximo de confusão, morte e destruição? na retaguarda dos inimigos".

A gaúcha Tahiane Stochero, formada em jornalismo e com pós-graduação em relações internacionais e especializada em defesa e conflitos internacionais, é a única brasileira e uma das poucas mulheres a ter participado de um programa mundial da ONU sobre segurança mundial. Esteve no Haiti várias vezes, desde 2007, a última no começo deste ano, por ocasião do grande terremoto que infelicitou ainda mais o mais pobre país das Américas.

Ela praticamente revela à luz do dia a existência do DOPaz, o Departamento de Operações de Paz, uma tropa de quatro oficiais e dezesseis praças, que jamais é citada nos documentos oficiais do Exército Brasileiro ou da ONU, mas que certamente é o grupo mais capacitado para qualquer tipo de operação em todas as Forças Armadas.

Mergulho na favela

A maior parte do livro é dedicada às atividades do DOPaz, em geral auxiliado por outras unidades brasileiras e estrangeiras. O livro é extremamente informativo sobre as atividades dos soldados nas imensas, miseráveis e violentíssimas favelas do Haiti, povoadas por bandidos que se apresentam à população como engajados em ações políticas, como a defesa do ex-presidente deposto e exilado Jean-Bertrand Aristide, ou ações de sequestro em nome de Che Guevara.

Mas o livro é de leitura empolgante, ao narrar passo a passo operações militares de grande envergadura, verdadeiras batalhas campais. São descritas as peripécias não planejadas dessas operações, como o fato de, numa delas, soldados uruguaios e outros terem por engano atirado em soldados brasileiros.

Em outra operação, a tropa sabia que uma determinada construção era apenas um banheiro público, muito necessário numa favela sem rede de água ou de esgotos. Mas não hesitou em destruí-la, por seus superiores acharem que ali se localizava a chefia de uma gangue. Afinal, "ordens são ordens".

domingo, outubro 17, 2010

sexta-feira, outubro 15, 2010

OPINIÃO - CARLOS VEREZA.

2010: Cristais Quebrados

*Carlos Vereza

Não é necessário ser profeta para revelar antecipadamente o que será o ano eleitoral de 2010. 

Ou existe alguém com tamanha ingenuidade para acreditar que o “fascismo galopante” que aparelhou o estado brasileiro vá, pacificamente, entregar a um outro presidente que não seja do esquema lulista os cargos, as benesses, os fundos de pensão, o nepotismo, enfim, a mais deslavada corrupção jamais vista no Brasil?

Lula já declarou que (sic) “2010 vai pegar fogo!”. Entenda-se, por mais esta delicadeza gramatical, golpes abaixo da cintura: dossiês falsos, PCC “em rebelião”, MST convulsionando o país… que a lei de Godwin me perdoe - mas assistiremos em versão tupiniquim, a Kristallnacht, A Noite dos Cristais que marcou em 1938 o trágico início do nazismo na Alemanha.

E os “judeus” serão todos os democratas, os meios de comunicação não cooptados (verificar mais uma tentativa de cercear a liberdade de expressão no país: em texto aprovado pelo diretório nacional do PT, é proposto o controle público dos meios de comunicação e mecanismos de sanção à imprensa). Tudo isso para a perpetuação no poder de um partido que traiu um discurso de ética e moralidade ao longo de mais de 25 anos e, gradativamente, impõe ao país um assustador viés autoritário. Não se surpreendam: Há todo um lobby nacional e internacional visando a manutenção de Lula no poder.

Prêmios, como por exemplo, o Chatham House, em Londres, que contou com “patrocínios” de estatais como Petrobras, BNDS e Banco do Brasil, sem, até agora, uma explicação convincente por parte dos “patrocinadores”; matérias em revistas estrangeiras, enaltecendo o “mantenedor da estabilidade na América Latina”. Ou seja: a montagem virtual de um grande estadista…

Na verdade, Lula é o Übermensch dos especuladores que lucram como “nunca na história deste país”.

Sendo assim, quem, em perfeito juízo, pode supor que este ególatra passará, democraticamente, a faixa presidencial para, por exemplo, José Serra , ou mesmo Aécio Neves,  Marina Silva? (O artigo foi escrito antes da definição do candidato do PSDB)

Pelo que já vimos de “inaugurações” de obras que sequer foram iniciadas, de desrespeito às leis eleitorais, do boicote às CPIs como a da Petrobras, do MST e tantos outros “deslizes”, temos o suficiente para imaginar o que será a “disputa” eleitoral em 2010.

E tem mais: o PT está comprando, com o nosso dinheiro, políticos, intelectuais, juízes, militares, o povo humilde com bolsa esmola e formando milícias com o MST, PCC, Sindicatos, ONGS, traficantes e outros, que recebem milhões e milhões de reais, para apoiar o PT e as falcatruas do Governo Lula.

Não podemos nem pensar em colocar como Presidente do Brasil uma mulher TERRORISTA, que passou a vida assaltando bancos, assassinando pessoas inocentes, arrombando casas, roubando e matando. Só uma pessoa internada num manicômio seria capaz de votar numa BANDIDA para ser a presidente de um País.

Confiram.

Carlos Vereza
Ator e ex-petista

TROPA DE ELITE 2

TROPA DE ELITE 2
O Reconhecimento pelas Forças Nacionalistas, Diante da Negritude do Quadro Político Sucessório 

“Tropa de Elite 2” é talvez, uma das maiores produções cinematográficas, no viés da crítica e do esclarecimento sobre as malversações dos acordos esdrúxulos dentro das instituições governamentais. O cinema onde assisti estava lotado e, ao final, o público, de pé, aplaudiu pelo desfecho, que retrata uma violência urbana, como ponta de “iceberg”, sustentada, ocultamente, por um poder, totalmente, conspurcado. Foi uma manifestação de negação, por tudo que se apresenta nos últimos tempos, na vida nacional.

Existem diversos capitães e coronéis Nascimentos no Serviço Público. São cidadãos, civis e militares, descartados por não aceitarem alianças veladas em detrimento da reta conduta e, sobretudo, do bem administrar o dinheiro e o patrimônio do povo.

Acho que chegou a hora dos organismos de segurança pública e defesa nacional outorgarem uma comenda ao produtor José Padilha, por idealizar um roteiro, de acordo com tudo que é repudiado nos Centros de Altos Estudos, à medida que se ministram temas como Fundamentos Axiológicos.

Suas coragem e criatividade exibiram a realidade corrupta do Poder paralelo. Esse digno Diretor desviou-se de seus pares que preferem fazer produções realçando a época dos Governos Militares, com o tom da ditadura ou da repressão política, a fim de estarem alinhados com a Agência Nacional do Cinema (ANCINE), porém totalmente fora de foco, por olhar um Brasil pelo retrovisor. É a morte dos intelectóides esquerdistas, diante do recrudescimento de novos atores, na habilidade produtiva de enredos a serem exibidos nas salas de projeções. 

Semana passada, quando houve a estréia do filme, ouvi no noticiário da CBN que “Tropa de Elite 2 é lançado quando o Rio de Janeiro está sendo vítima de diversos arrastões”. Eu já diria que “Tropa de Elite 2 é lançado, oportunamente, às vésperas do segundo turno.

Isso se deve ao que se estampa na mídia: dissimulações em todos os níveis, acordos incoerentes entre partidos, mentiras deslavadas, cartas de intenções tentando agradar algumas classes, tudo para vender, simultaneamente, a alma a Deus e ao Diabo, em prol do voto. Descriminalização do aborto, apoio ao movimento gay, repúdio a símbolos religiosos e revanchismo não são mais assuntos das pautas dos atuais concorrentes, como alguns personagens do filme, em seus papéis de autoridade, faz no instante que se acovardam, mudando seus discursos, ao terem ciência que a justiça apura a verdade sobre suas falcatruas. Hoje, estou vendo políticos comparecerem a santuários e outros procurarem militares, conduta que, ao longo de suas vidas, até onde sei, eram incompatíveis com suas personalidades. É um absurdo!

“Tropa de Elite 2”, segundo a minha ótica, é justamente um drama na tentativa de denunciar essas simulações que confundem a Sociedade, para obtenção de dividendos escusos, em todos os sentidos. É desnudar o manto da vilania sem truculência. É apontar a sordidez dos grupelhos instalados no Poder.

Acho que a obra deveria ser exibida nas cúpulas das Secretárias de Segurança estaduais, bem como no Congresso Nacional, seguido de debate, como acontece nos cines-clube.

Posso estar sendo interpretado como “inocente” ou de “acreditar em Papai Noel”, mas pelo menos essa é a contribuição moral, diante, às vezes, da covarde zombaria dos medíocres de plantão, extasiados e estáticos com os esquemas malévolos saqueadores da ordem e do progresso.

Reconhecer a arte como instrumento de educação ética é usar de inteligência. Admitir talentos de novos produtores cinematográficos, que contaminam a boa prática da cidadania, com seus trabalhos, como José Padilha, é ser hábil na conquista de corações e mentes. Enfim, recompensar os novos roteiristas, que primam por uma arte limpa e esclarecedora, é angariar parceiros dignos para as boas obras serem difundidas no mundo midiático.

Premiar José Padilha, com nossas ordens medalhísticas, é exaltá-lo como nacionalista, contrastando a infame indicação de “Lula – O Filho do Brasil” ao Oscar, por questões, meramente, política e eleitoreira, a partir de uma comissão indicada pelo Ministério da Cultura e pela Academia Brasileira de Cinema. Vê-se, portanto, uma comissão cultural a transformar-se no tribunal da vergonha artística. A suposta preferência por esse filme ao Oscar, em termos “unânimes”, como foi anunciada, zomba-se da Nação, por acreditar que todos os brasileiros pensam pela boca do estômago, correndo atrás da bolsa família. É ignorar, ardilosamente, a negação do longa metragem, pela crítica nacional e estrangeira, mas não importando, já que esse gesto beneficiará o quadro eleitoral, em prol de uma candidatura. “Os fins justificam os meios”, já dizia Maquiavel.

Por fim, reitero que laurear José Padilha é promover o Tenente-Coronel Nascimento a Oficial General, para que “Tropa de Elite 3”, ao ser exibido futuramente nas telas, mostre ao Brasil que, apesar da indigente conduta do nosso homem público, ainda há uma classe de guardiões velando pela democracia e o bem comum do País.

Antonio Celente Videira
acelente@gmail.com

segunda-feira, outubro 11, 2010

REPÚBLICA AGONIZA!!!

A República agoniza

Hiram Reis e Silva, Porto Alegre, RS, 10 de outubro de 2010.

A República agoniza. O dinheiro, a libertinagem, os costumes gregos corrompem os cidadãos. A plebe vive da esmola que lhe dão a cada mês. Se não receber a parte do trigo que calcula lhe devem, insurge-se. Mas os magistrados eleitos, os questores, tribunos, pretores e cônsules são ainda piores que os pobres cidadãos. Compram os votos; vendem a si mesmos. (Caio Júlio César)

A internet continua a me surpreender. Desta vez tive a oportunidade, através de meus artigos, de travar contato virtual com o ex-prefeito de Itu, SP, o senhor Lázaro José Piunti. Falei-lhe de meu amazônico projeto e ele me enviou alguns belos textos. Apresento o primeiro deles que faz uma incisiva reflexão sobre o triste momento político que vivenciamos neste nosso “pobre” e “rico” Brasil. Pobre, indigente mesmo em moralidade, escravo da indecência, capacho de ladrões, servo de usurários. Rico pelas mãos do Grande Arquiteto do Universo que o abençoou com pródigos recursos naturais, clima generoso, terra fértil e mananciais dadivosos. Até quando seremos o país do futuro? Já era tempo, se tivéssemos tido políticos comprometidos com a sociedade e não com suas contas bancárias, de estarmos ocupando posição de relevo no concerto das nações.

Voltemos nossos olhos para o Japão e vamos verificar que em apenas duas décadas, depois de ser arrasado na Segunda Grande Guerra, o país saiu de, praticamente, uma era feudal para se alinhar às potencias de primeiro mundo. Pobre em recursos naturais, mas com uma riqueza imensurável, seu povo que soube escolher seus governantes e escorraçá-los quando necessário. Não imagino os japoneses elegendo, como aqui, o cearense Francisco Everardo Oliveira Silva, mais conhecido como Tiririca, que se auto-define como “abestado”, para Deputado Federal.

- Prosperidade para os atrevidos!
Lázaro José Piunti, 19-09-10 (ex-prefeito de Itu)

“O que é o mundo senão uma comédia?” (Balzac)

Pensei que a era do abuso tinha se esgotado. Quão ingênuo sou!

Eis aí, imenso e estendido de horizonte a horizonte, o território da indignidade.

Os velhacos são os acrobatas do grande circo. O povo é o comparsa. Enquanto a mocidade são os galãs, a velhice é formada pelos logrados.

Os néscios são a maioria – palhaços.

Orquestra – é tudo isso em movimento.

Verdadeiro enxame de moscas, entoando zunidos e zumbidos de mutucas que se chupam mutuamente.

E a Associação dos Malfeitores cresce continuamente!

Surgem aqueles que se propõem a curar sem nunca ter sido médico.

E monta colégio para ensinar, quem jamais freqüentou aula.

Aparecem abridores de igrejas. E pregam Deus. Embora jamais tenham cumprido mandamentos santos.

Vira conselheiro o imoral. E governa bens públicos quem nunca soube administrar suas próprias coisas.

Banqueteiam-se à custa da ingenuidade dos simples. Ampliam sua fortuna. Esmeram-se em enganar aos pobres oferecendo migalhas.

Sua meta é a exclusão dos sábios – estes perturbam os insanos.

O lugar é dos canalhas – porque são mais espertos.

Os monges precisam retornar ao deserto. Novos pastores sejam produzidos.

Ou a nefanda comédia humana se perpetuará!

Imaginei um novo tempo. Onde a sordidez seria vencida pelo bom senso, a astúcia derrotada pela honestidade e a decência restabelecida.

O que se vê é o facho obscuro da “Lanterna Mágica” de outrora.

Definitivamente estou me despedindo deste planeta. A cada dia, mais e mais.


Solicito Publicação

Coronel de Engenharia Hiram Reis e Silva
Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA)
Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS)
Acadêmico da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB)
Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS)
Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional
Site: http://www.amazoniaenossaselva.com.br
E–mail: hiramrs@terra.com.br

sábado, outubro 09, 2010

quinta-feira, outubro 07, 2010

CBN - OPNIÃO NACIONAL - JORNALISTA LUCIA HIPÓLITO

OPNIÃO NACIONAL

O ESTADO DE SÃO PAULO - CADERNO OPNIÃO
DEMOCRACIA É ASPIRAÇÃO NACIONAL?
02 de outubro de 2010 | 0h 00

Luiz Eduardo Rocha Paiva - O Estado de São Paulo

Nas eleições presidenciais de 2002, o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva e seu partido lançaram a Carta ao Povo Brasileiro, para convencer a Nação de que não imporiam a temida guinada para o socialismo radical, com ruptura do regime democrático, caso o PT chegasse ao poder. Hoje, as posições publicamente manifestadas e algumas iniciativas do presidente da República e da cúpula do PT revelam uma disposição bem diferente da apresentada naquela carta, como se conclui, também, pelas sucessivas propostas para cercear a liberdade de imprensa; pelo 3.º Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), com propósitos totalitários enrustidos em ilusória defesa dos direitos humanos; e pelos balões de ensaio do programa partidário num eventual governo em 2011.

A reação de setores democráticos da sociedade obrigou o governo a repetidos recuos, demonstrando não ser fácil impor um regime autoritário ao País. Quanto ao PT, sempre foi claro ser um partido com distintas correntes de pensamento, todas à esquerda, estando à atual direção sob o controle da ala radical.

Mas qual é o pensamento político do presidente Lula? O revelado em 2002 ou o atual?

Uma vez constatada essa oscilação, é natural que parte da Nação considere o presidente um adepto da esquerda radical e que a Carta ao Povo Brasileiro teria sido uma estratégia para viabilizar a ascensão do PT ao poder. Da mesma forma, outra parte pode julgar que o presidente seja um político tradicional, cujas ações visam a manter o poder pessoal e não se norteiam por valores e interesses nacionais, ao contrário do verdadeiro estadista. Para essa parcela da Nação, o presidente estaria radicalizando para controlar a ala mais à esquerda do PT, pois esta já revelou a intenção de assumir a orientação política do próximo governo, o que comprometeria sua liderança e seu futuro político. Há, ainda, a corrente otimista, para a qual o presidente é um democrata, mas se veria obrigado a usar métodos sutis, a fim de controlar as diversas correntes do PT, evitando conflitos que comprometessem a paz social.

Num hipotético cenário em que a ala radical do PT viesse a controlar o governo, ela tentaria impor um regime, no mínimo, autoritário ao País. A Nação viveria momentos de tensão, em que as liberdades individuais e o regime democrático dependeriam do poder das instituições, o qual resulta de sua força política e da vontade e maturidade da Nação. A manobra da esquerda radical reuniria pressões de cúpula e de base, exercidas por organizações e atores aliados nos Poderes da União, amplamente mobiliados pelo partido; por meio de parcerias com parcela significativa do empresariado e do setor financeiro, fidelizada e controlada via benefícios concedidos no contexto da estratégia de implantação do capitalismo de Estado, adaptado do modelo chinês; e por movimentos revolucionários, eufemisticamente chamados sociais, com suas ligações externas.

A linha de frente para neutralizar tal manobra seria composta pelos setores democráticos do próprio Executivo, pelo Judiciário e pelo Legislativo. Este último, porém, está desgastado, não tem credibilidade e grande parte dos congressistas é aliada ao governo ou dá prioridade a interesses pessoais, às vezes inconfessáveis, sendo suscetível a cooptação. São as instâncias competentes para impedir a alteração do arcabouço legal e, assim, tornar inviável a manobra da esquerda radical.

Numa segunda linha se encontra a imprensa, setor com maior capacidade de projeção na sociedade para conscientizar e mobilizar as forças democráticas para a preservação do regime. Daí ser o alvo principal das manobras da esquerda radical nos campos político e financeiro visando a silenciá-la.

E as Forças Armadas? Elas se subordinam ao poder político do Estado, impropriamente chamado poder civil, e, como disse o presidente Castelo Branco, os meios militares nacionais e permanentes não são propriamente para defender programas de governo, muito menos sua propaganda, mas para garantir os Poderes constitucionais, o seu funcionamento e a aplicação da lei. Não estão instituídos para declarar solidariedade a este ou àquele Poder.

De fato, a Constituição da República prevê o emprego das Forças Armadas na garantia dos Poderes constitucionais, da lei e da ordem. O equilíbrio dos Poderes é um fator decisivo na democracia e se o Poder Executivo tentar rompê-lo e se impor aos demais, ao arrepio da lei, não cabe às Forças Armadas, e sim ao Legislativo e ao Judiciário - linha de frente já mencionada -, intervir, podendo haver até mesmo o impeachment do presidente. Neste caso, a linha sucessória seria seguida e, se necessário, as Forças Armadas seriam acionadas, sob o comando supremo do novo chefe da Nação, para fazer cumprir a Constituição.

Somente na hipótese de falência total dos Poderes da União, o caos institucional resultante obrigaria as Forças Armadas a exercê-los, temporariamente, para impedir a desintegração da Nação.

Nenhum cidadão é obrigado a fazer o que é ilegal ou lesivo ao País. Na hipótese em tela, oportunamente, altos chefes militares tomariam uma digna iniciativa pessoal - sem emprego de tropa nem quebra da hierarquia e disciplina: manifestar publicamente oposição à manobra da esquerda radical, com o risco de retaliações, conscientes de que a omissão seria respaldo, implícito, a ações lesivas à democracia, às instituições e ao Brasil e que a lealdade à Pátria é o maior atestado de disciplina militar. A problemática substituição desses chefes levaria a um impasse e reforçaria a reação democrática.

A sociedade é responsável pelo seu destino e deve organizar-se, como no Movimento Ficha Limpa, para pressionar vigorosamente as instituições, obrigando-as a defender a democracia, se esta for realmente uma aspiração nacional.

GENERAL DA RESERVA É PROFESSOR EMÉRITO E EX-COMANDANTE DA ESCOLA DE COMANDO E ESTADO-MAIOR DO EXÉRCITO E MEMBRO DA ACADEMIA DE HISTÓRIA MILITAR TERRESTRE DO BRASIL